GUERREIROS E GUERREIRAS. Chegou a HORA!!!

“EU SOU GUERREIRO, EU SOU GUERREIRO E VOU LUTANDO.
A MINHA ESPADA É A PALAVRA DO AMOR
O MEU ESCUDO É A BONDADE EM MEU PEITO
E O MEU ELMO SÃO OS DONS DO MEU SENHOR!!!”

Não Vale acabar com as ÁGUAS!
Não Vale acabar com as MONTANHAS!
Não Vale acabar com CASA BRANCA!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

HISTÓRICO DO MOVIMENTO

O que é o Movimento em Defesa das Águas e Serras de Casa Branca?

Um Breve Histórico.



Encravado em um vale encantado, rodeado por magníficas e belas montanhas, o povoado de Casa Branca, pertencente ao município de Brumadinho, assistiu, no decorrer do ano de 2011, à eclosão de um fortíssimo movimento de caráter popular, social e ecológico.

Podemos situar a gênese do Movimento em reuniões que foram convocadas por lideranças locais para discutir um projeto intitulado “Resgate da Cidadania”, cujo foco era preparar estratégias para fortalecer os interesses políticos de Casa Branca, bastante negligenciada pelo poder público municipal, visando às eleições de 2012.

Durante essas reuniões, foram levantados os diversos problemas da Comunidade, sendo um tema prioritário a Água! Foram criados Grupos de Estudos dos quais o “Grupo da Água” começou a extrapolar o projeto inicial e tomou, espontaneamente, um rumo inesperado, crescendo e ganhando enorme adesão popular.

A Comunidade de Casa Branca, em particular do bairro da Jangada, estava apavorada com as investidas da atividade mineraria na região e com as possíveis implicações da mesma. De imediato, foi constatado o decréscimo na qualidade e quantidade de água, cujo abastecimento é feito por meio das inúmeras nascentes nas montanhas que rodeiam o povoado.

Visando a expansão da Mina da Jangada, na época foram realizadas sondagens, cujos veículos e equipamentos envolvidos são de grande porte, sendo abertas inúmeras vias de acesso, verdadeiras “avenidas”, e ilhas em plena mata atlântica, gerando grande desmatamento.

Assustada e sem explicações do que estava acontecendo, nem da empresa, nem do poder público, a Comunidade começou a se reunir para enfrentar esse desafio. Como resultado dessas primeiras reuniões foi realizada uma caminhada do bairro da Jangada até a Praça de Casa Branca para denunciar o desmatamento e coletar assinaturas para entrar com uma representação junto ao Ministério Público visando o esclarecimento do que estava acontecendo e as devidas medidas judiciais.

A ação jurídica, junto com todas as assinaturas coletadas foi protocolada no Ministério Público no dia 05 de abril. Nesse mesmo mês, no dia 25, a Comunidade de Casa Branca foi em peso para a Assembléia Legislativa de Minas Gerais para participar de Audiência Pública na Comissão de Direitos Humanos, cuja pauta era o perigoso avanço da atividade mineradora na região.

Ainda neste mês, houve representação da Comunidade de Casa Branca no Encontro Internacional dos Atingidos pela empresa que realiza exploração dos recursos naturais na região. Além de participação no Debate Público “Mineração e Direitos Humanos”.

Em maio, essa mobilização popular, que começa a ser chamada de “Movimento em Defesa das Águas de Casa Branca”, é agraciada com um maravilhoso espetáculo musical, com a participação de talentosos, reconhecidos e conscientes artistas que doaram toda a renda para o Movimento. Outra ação para gerar recursos para o Movimento foi a produção e venda de adesivos com a frase: “Mineração, um Câncer no Seio das Gerais”.

Apesar dessas ações, reinava um exasperante silêncio por parte da empresa e do poder público municipal. Aliás, a quase “invisibilidade” de Casa Branca quando o assunto são os interesses da Comunidade já é uma constante. O povoado é ignorado até mesmo nos documentos e estudos que autorizam a atividade mineradora, além de não ser contemplado pelas medidas compensatórias e investimentos sócio-ambientais (que não passam de uma obrigação), sendo os recursos oriundos da exploração do subsolo aplicados na sede do município e não na região afetada.

Diante desse “silêncio”, a Comunidade não teve outro recurso a não ser sair da “invisibilidade”. Para tanto, a Comunidade começou a planejar o que ficou conhecido como “Dia da Alegria”, um “grito”, uma ação que faria com que poder público e a empresa parassem de ignorar a existência do Movimento e pior, da própria Comunidade.

A preparação para esse dia foi impecável, com até mesmo atividades cujo propósito era sensibilizar a Comunidade para a gravidade da situação e urgência do momento. Na sexta-feira, 13 de maio, dia da “Abolição da Escravatura”, foi exibido, no gramado em frente à igreja de Casa Branca, o filme “Não Vale”, que mostra a degradação de vidas humanas pela ação de uma empresa no norte do Brasil.

Finalmente, na segunda, dia 16 de maio, data guardada a “sete chaves”, aconteceu, ainda de madrugada e com os auspícios de uma chuva fina, o “Dia da Alegria”. Nesse amanhecer, a Comunidade bloqueou a Avenida Um, estrada que liga Casa Branca à Sede do Município e à Mina da Jangada, ninguém passava em nenhum dos lados da via, exceção aberta apenas à ambulância que seguia para Brumadinho e aos alunos e professores que se dirigiam à escola de Casa Branca.

A Ação Direta foi um sucesso! No mesmo dia a empresa enviou vários representantes para dialogarem com a Comunidade, a mídia noticiou em cadeia nacional o ocorrido e, “oficialmente”, Casa Branca tinha um Movimento cuja proposta era a defesa das águas e da natureza, nas redes sociais da internet o “Dia da Alegria” foi divulgado aos quatro ventos!

Uma importantíssima batalha havia sido vencida, porém muito ainda precisava ser feito.

Como resultado do “Dia da Alegria” é aberto um canal de comunicação, sendo que, em junho, a empresa realiza uma reunião com a Comunidade onde expõe seu lado da situação, explicando sobre as sondagens e situação das nascentes, que segundo a empresa, secariam “temporariamente” e não comprometeriam o abastecimento. Não satisfeito com esse argumento, o Movimento elabora uma Carta/Manifesto que é protocolada e entregue à empresa.

Em 1 de agosto, o Movimento está presente e se manifesta na reunião da URC (Unidade Regional Colegiada) Paraopeba, instância do Conselho de Política Ambienta- COPAM, espaço no qual são votadas as licenças para exploração mineraria. Na ocasião, a renovação de licença da mina de Córrego do Feijão, parte do grande complexo de exploração de minério de ferro na região, não é votada. Porém, no dia 16, em nova reunião da URC-Paraopeba, mesmo com o protesto e manifestação do Movimento, que compareceu com faixas e realizou a leitura do Manifesto, a licença de operação da empresa mineradora é renovada.

Chega setembro, e um fato curioso, que se repete anualmente, acontece: durante alguns dias, Casa Branca perde sua singular “invisibilidade” para se tornar a vitrine do município. É o “Brumadinho Gourmet”, evento gastronômico que traz muitos turistas para Casa Branca e possui ampla divulgação na mídia. Apesar de não ser convidado oficial, e ter que se alojar no espaço externo à área reservada aos restaurantes, lojas e stands dos patrocinadores, o Movimento também se faz presente durante a festa, montando uma tenda onde são coletadas assinaturas para novo abaixo-assinado. Como forma de denunciar o que está acontecendo com as belas montanhas que molduram a paisagem, é colocada uma “lágrima”, confeccionada em tecido, no que seria o olho da popularmente chamada “Montanha do Cachorro”, pela mesma se parecer a um enorme cão.

O segundo semestre de 2011 ainda seria marcado pela entrada de um recuso, protocolado junto ao Ministério Público, contra a renovação de licença concedida na URC Paraopeba. Entre outros argumentos presentes na ação, está o fato da empresa não haver cumprido as condicionantes anteriores. Porém, o grande e triste acontecimento daquele momento foi o incêndio. Como resultado do fogo, mais de 80% da área do Parque do Rola Moça é atingida pelo incêndio. Em Casa Branca, o fogo ameaçou casas e a área de reserva florestal da mineradora também se incendeia, mais desastres ambientais para uma região seriamente ameaçada.

Em outubro, a água, cujas nascentes estão na área da mineradora, chega poluída na casa das pessoas. A Polícia Ambiental é acionada e é registrado um Boletim de Ocorrência. Novas audiências públicas na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, com participação do Movimento. Como resultado dessa aproximação do Movimento com essa instância do Poder Público, consolida-se a proposta de realização de Audiência Pública em Casa Branca, por meio da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa de Minas.

O fim do ano se aproxima e duas reuniões com mineradora são realizadas, o Movimento tem consciência que existe uma “obrigatoriedade” da empresa em se relacionar com a Comunidade, trata-se de uma condicionante para a renovação da licença obtida em agosto. O desafio desta vez é estar alerta ao aparecimento de supostas associações e entidades que, segundo os próprios representantes da empresa, estariam “representado” os interesses da comunidade de Casa Branca junto à mineradora, curiosamente, sem o conhecimento, e aval da própria população!

Em dezembro, um encerramento festivo! No domingo, dia 18 acontece, no pátio da Escola Municipal de Casa Branca, um lindo espetáculo com a participação de Renato Motha e Patrícia Lobato, renomados artistas moradores do povoado e do Conjunto Casa Branca, formado por membros da Comunidade, que animam a “Tarde Festiva pelas Águas e Serras de Casa Branca”.

O ano de 2012 se inicia e as demandas são enormes, porém a força, vigor e união do Movimento em Defesa das Águas e Serras de Casa Branca são compatíveis com os desafios. Essa força é oriunda do legítimo e nobre propósito de defender, em primeira instância, a vida. A vida de animais, de plantas e de seres humanos, todos dependentes da água, tão abundante nesses reservatórios naturais, verdadeira “caixas-d’água” da natureza, que são nossas montanhas. Queremos viver, e não apenas sobreviver. Sabemos dos grandes interesses e altos lucros envolvidos nesse jogo, porém não vamos esmorecer.

Por fim, vale destacar que o Movimento em Defesa das Águas e Serras de Casa Branca é, essencialmente, um Movimento Popular, cujos participantes, ao contrário do que foi sugerido certa vez em uma coluna de um jornal de ampla circulação na capital mineira, são pessoas, seres humanos, de diferentes classes sociais, ocupações, idades, religiões, ou seja, um Movimento que tem na diversidade outra de suas virtudes. O colunista em questão, teria mencionado que o Movimento seria um grupo de condôminos que estariam enfurecidos pois a atividade mineradora estaria estragando a vista das montanhas que os mesmos tinham de suas áreas de lazer e churrasqueiras. Nada mais equivocado, pois no Movimento há pessoas que residem e freqüentam os inúmeros condôminos de Casa Branca, como também há muitas pessoas que estão fora dos condomínios, assiste-se nas reuniões do Movimento, a presença e participação de funcionários e patrões, em plena igualdade e exercício de cidadania, além do mais, há vários membros do Movimento que jamais possuiriam churrasqueira pois são vegetarianos!

Nas reuniões, as decisões são tomadas em consenso e todos os membros do Movimento possuem os mesmos direitos. Não há lideranças fixas nem hierárquicas e, semelhante ao histórico movimento inglês da época da Revolução Industrial, o Ludismo, ou o contemporâneo Movimento Zapatista de Libertação Nacional, no México, a procura de um líder seria em vão, pois todos são líderes.

Por isso mesmo, espero ter desempenhado com êxito e responsabilidade, a importante tarefa de ser um humilde porta-voz desse Movimento ao qual me orgulho de pertencer. Brava Gente de Casa Branca! Viva Nosso Movimento em Defesa das Águas e das Serras!


Ka W. Ribas

Educador, Geobiólogo e Curador, morador de Casa Branca e membro do Movimento em Defesa das Águas e Serras de Casa Branca.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

CARNAVAL!!! Bloco Unidos por Casa Branca

video


ATENÇÃO, ATENÇÃO!!!

Para embelezar a saída do Bloco - "Unidos por Casa Branca - Em prol das águas,  serras e tudo mais", estamos produzindo os estandartes com cores que representam elementos de grande importância na preservação de nossa Casa Branca.

As águas serão representadas pela cor azul, as matas e florestas com o verde e as flores de nossa serra serão roxas - como canela de ema, amarelas, rosas e brancas – orquídeas vão pintar o descer no Rola Moça. As demais cores que alegrarão o bloco estão representando os diversos pássaros e animais que aqui conosco convivem: tucanos, sabiás, açanhaços, lagartos, cobras, raposas... e tudo mais.

Você pode contribuir! Confeccionando estandartes, nessa semana, na casa da D. Oleolina; enfeitando as máscaras e faixas, na sexta e sábado, dia 17 e 18/02, na Sorveteria.

Caso não seja possível participar da fase preparatória, estão convidados para o desfile até a praça:
 ·       Concentração às 15 horas, dias 19 e 21, no posto de gasolina e saída às 17 horas.

DIVULGE!!! Espalhe essa mensagem aos nascidos aqui, aos antigos, aos novos e aos futuros moradores: união em prol da preservação das nossas águas, fauna e flora. Cidadania, segurança, respeito, alegria e tudo, tudo mais... de bom para todos nós.

Confira o vídeo da marchinha com sua letra e a programação completa.
Lembrando que sexta e sábado, véspera do Carnaval, os encontros serão na sorveteria.

Vista a fantasia, decore a marchinha e caia na folia!

Equipe Bloco “Unidos por Casa Branca - Em prol da águas, serras e tudo mais"
Maiores informações: Miriam 9805-8742 e Maíra 9621-2991

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Tarde Festiva pelas Águas e Serras de Casa Branca

Somos responsáveis pela saúde ambiental de Casa Branca?

Convidamos toda a comunidade para
Tarde Festiva pelas Águas e Serras de Casa Branca

18 de dezembro, domingo, às 15h
Escola Municipal Carmela Caruso Aluotto

Atrações:
Conjunto Casa Branca,
Renato Motha e Patrícia Lobato Palhaço Arco Íris

Comidas típicas,
sorteio de brindes 

Entrada franca

Realização:


domingo, 25 de setembro de 2011

Incêndio consome 80% de área de Parque do Rola Moça


Os incêndios que atingem áreas de preservação ambiental na Serra do Rola-Moça e na Serra do Cipó, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), já consumiram mais 650 mil m² de vegetação, segundo os bombeiros, que ainda não conseguiram conter as chamas. Os trabalhos foram interrompidos por hoje e continuarão na segunda-feira (26) de manhã.
No Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, uma das mais importantes áreas verdes do Estado, aproximadamente 80% da área total do parque foi queimada, segundo os bombeiros. Hoje, 27 bombeiros e alguns brigadistas combateram as chamas, com ajuda de helicópteros.



Na Serra do Cipó, onde está localizada uma das reservas naturais mais importantes do país, ao menos 500 mil m² de vegetação já foram consumidos pelo fogo, que começou na quarta-feira (21), na cidade de Morro do Pilar. Neste domingo, cerca de 70 homens, entre bombeiros e brigadistas do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), atuaram no local, com ajuda de um helicóptero.
A Serra do Curral também é atingida por um incêndio desde as 13h30 deste domingo. Segundo os bombeiros, as chamas são altas e de grande intensidade. Foram deslocadas três equipes para o local.




Os incêndios atingem regiões de preservação ambiental que ficam na cadeia montanhosa conhecida como Serra do Espinhaço. A região é considerada pela Unesco uma reserva mundial da biosfera, pela sua diversidade de fauna e flora.
Ontem, na Mata da Baleia, os bombeiros contiveram um incêndio que consumiu 50.000 m². Também no Parque Nacional do Papagaio e no Parque Estadual da Serra do Cabral os bombeiros atuaram para apagar incêndios.
De acordo com estatísticas da corporação, de 17 de agosto a 12 de setembro deste ano foram registrados 1.931 em áreas de mata da região metropolitana de Belo Horizonte.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Quem chora agora



Quem chora agora é o Morro do Cachorro, uma sequência de serras em Casa Branca que ganhou esse nome por ter o desenho de um cachorro deitado. Após uma grande queimada em várias serras da região, o Cachorro também foi extremamente agredido após o incêndio de dimensões ainda não calculadas.
O movimento pelas Águas e Serras de Casa Branca se uniu para mostrar o quanto ainda estamos decepcionados com a atitude das mineradoras da região e dos governantes que pouco ou nada estão atuando e favor do nosso meio ambiente. Colocamos uma "lágrima no olho do Cachorro" para representar nossa tristeza em relação a essa realidade, ainda mais em um tempo de seca que, além de diminuir a quantidade da água na região, ocasiona queimadas devastadoras.
Esperamos que as autoridades se "toquem" e iniciem mobilizações em favor de Casa Branca. Precisamos do poder público para garantir a preservação de nossas serras e água, mas não vamos ficar parados esperando.
Unidos somos mais!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

MANIFESTO PÚBLICO


MANIFESTO PÚBLICO EM DEFESA DAS ÁGUAS E SERRAS DE CASA BRANCA

A sociedade organizada no Movimento pelas Águas e Serras de Casa Branca, cujo propósito é preservar as nascentes e mananciais da região para a saúde ambiental e conseqüente qualidade de vida da população, vem a público manifestar a realidade da convivência com a atividade mineraria e apresentar ações necessárias para nossa sobrevivência comum.

Nosso dia a dia na vizinhança das minas da Jangada, Córrego do Feijão e Capão Xavier, todas atualmente operadas pela Vale, é afetado por inúmeros incômodos. Como exemplo, podemos citar a poeira, poluição do ar e sonora, as rachaduras nas residências, grande fluxo de trabalhadores terceirizados, trânsito e, o mais grave, ameaça à água de alta qualidade que historicamente abastece a população.

Irresponsabilidade histórica

Durante todo o processo de Licenciamento Ambiental (nº 118/2000/007/005) para ampliação da Mina da Jangada, ocorrido durante o ano de 2005, não houve referência sobre o impacto direto das operações da mina sobre o volume de água das nascentes dos Córregos da Jangada e da Índia. Atualmente a população vem sentindo a diminuição da quantidade e qualidade das águas de abastecimento humano. É fato que a mineração rebaixa o lençol freático e a Vale não assume que sua atividade também é responsável pelo impacto negativo na oferta de água. É importante lembrar que a água foi declarada pelas Nações Unidas como direito humano essencial à vida.

Os impactos sociais também não foram mensurados. Casa Branca, comunidade mais próxima e mais afetada pela mina, não foi considerada adequadamente no EIA/RIMA como Área de Influência Direta, os estudos focaram no município de Sarzedo. Na época, a população se manifestou na audiência pública (realizada em Brumadinho, em 07/03/2006) e protocolou seu posicionamento e demanda, no entanto, não foi devidamente ouvida nem pelo empreendedor nem pelos órgãos públicos. Na verdade fomos ignorados. Como sequer fomos considerados como atingidos, as condicionantes definidas naquele momento não são capazes de mitigar ou compensar os impactos negativos que sofremos.

Os fatos acima apresentados demonstram que o desrespeito com a população está presente já há alguns anos. Além dos impactos na vida dos seres humanos, sabe-se que também ocorrem ilegalidades éticas no que diz respeito à relação com a biodiversidade. Estamos na APA Sul e no entorno do Parque Estadual da Serra do Rola Moça, com presença de outras importantes unidades de conservação, o que prova a forte vocação econômica da região para atividades que integram harmonicamente pessoas e natureza, como o turismo ecológico, histórico e cultural. Vale destacar a importância vital dos serviços ambientais que essas áreas naturais prestam a toda Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Salientamos a presença de Mata Atlântica, defendida pela Lei Federal 11.428, de 2 de dezembro de 2006. É sabido que as condicionantes das licenças para a implantação e operação das minas prevêem o plantio de espécies nativas, porém, por ineficiência não apenas do empreendedor, mas também do órgão público responsável, tal recuperação florestal não vem sendo realizada. Ênfase merece também a borboleta Paridis burchelanus, considerada extinta desde 1940 pelo Livro Vermelho de Espécies Ameaçadas da Fauna Brasileira, encontrada recentemente no leito do Ribeirão Casa Branca. Essa espécie é altamente sensível à quantidade e qualidade das águas, e qualquer interferência em seu habitat é um grande risco para sua definitiva extinção.

Sobre o desempenho de funcionamento das minas da região, tivemos acesso a relatórios técnicos de monitoramento das águas e efluentes que apontam concretas violações de limites legais de vários parâmetros fixados em normas federais ou estaduais.
Enfim, são muitos os passivos pendentes, tantos que nem é possível registrar todos aqui.

Convocação para ação responsável

As reivindicações aqui apresentadas não são novidades, já foram feitas em diversos espaços públicos e estão registradas em vários documentos formais, protocolados junto aos órgãos competentes e parte do processo de licenciamento da Mina da Jangada (disponíveis mediante solicitação). São elas:

·       Inserção da área entre a estrada de Nova Lima e Casa Branca e a Mina da Jangada, localizada na Serra dos Três Irmãos, ao Parque do Rola Moça;
·       Criação da Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) da Jangada que garanta a preservação das águas, nascentes e mananciais de abastecimento público;
·       Apoio para a criação de um Programa de Educação Ambiental e Turismo Responsável, elaborado e gerido juntamente com a Prefeitura Municipal de Brumadinho e com a população local, na área que inclui as cachoeiras do ribeirão Casa Branca;
·       Calçamento (com bloco de rejeito da mineração) de Casa Branca até Córrego do Feijão (incluindo a rua 27, Alameda Sibipiruna). Molhar a estrada é apenas uma medida paliativa, precisamos de uma solução definitiva. O projeto de calçamento deve ser elaborado em conjunto com a comunidade;
·       Disponibilização de informações periódicas da operação da mina para a população local;
·       Controle da poeira gerada dentro da mina da Jangada;
·       Programa de Educação no Trânsito, além da sinalização das estradas dentro da comunidade diretamente afetada.

Rogamos ao Ministério Público, aos órgãos competentes e ao Conselho Estadual de Política Ambiental, em especial a Unidade Regional Colegiada Paraopeba, que não emita nenhuma licença ambiental para empreendimentos de mineração em nossa região antes da real mitigação dos impactos que sofremos há vários anos. E ainda que as fiscalizações sejam freqüentes e sérias.

Estamos dispostos a defender nossas vidas e nosso ambiente. Caso as reivindicações aqui apresentadas não recebam a atenção que merecem, por favor, interpretem este manifesto como o anúncio de nossa luta firme e pacífica. Temos plena consciência dos nossos deveres e direitos como cidadãos. Sabemos que o que estamos defendendo é legítimo, fundamental e a favor da vida. Acreditamos que juntos somos fortes, e que salvar o presente e o futuro do nosso planeta é um dever ético e da natureza de todos.

Com esperança.

Movimento pelas Águas e Serras de Casa Branca

sábado, 18 de junho de 2011

CARTA À EMPRESA VALE

Aos Exmos senhores dirigentes, funcionários e responsáveis pela Companhia Vale,
Somos membros do movimento Casa Branca Água Viva, sediado em Casa Branca, no município de Brumadinho, Minas Gerais. Esta região, limítrofe ao Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, na grande BH, faz parte de um complexo ecológico de rara beleza e grande relevância por sua biodiversidade, fauna e flora singulares, montanhas e nascentes com águas de primeira qualidade, muitas delas de água mineral, tornando-se um dos maiores mananciais hídricos responsáveis pelo abastecimento da cidade de Belo Horizonte e seu entorno, uma autêntica reserva natural. 

O Casa Branca Água Viva é um movimento de caráter preservacionista, que tem como objetivo central a defesa desse patrimônio ambiental, cultural e científico. Entre seus membros encontram-se pessoas de áreas diversas: professores, artistas, médicos, geólogos, engenheiros, advogados, jornalistas, ambientalistas, trabalhadores rurais, pessoas nativas e de outras cidades que vieram para Casa Branca em busca de uma vida harmoniosa e saudável, com silêncio, água, terra e ar puros, vida esta cada vez mais ameaçada pela exploração dos recursos naturais da região, feita principalmente por empresas mineradoras.


O nosso grupo realiza atividades que visam promover o bem comum e um futuro verdadeiramente próspero para todos, objetivos pelos quais lutaremos, resistindo pacificamente, mas com firmeza, sempre que estes forem ameaçados. Somos lúcidos e temos plena consciência dos nossos deveres e direitos como cidadãos, trabalharemos nisto até as últimas consequências, pois sabemos que o que estamos defendendo é legítimo, fundamental e a favor da vida. Acreditamos que juntos somos muito fortes, e que salvar o futuro do nosso planeta não é uma missão restrita a ambientalistas, e sim um dever ético e da natureza de todos.


A Vale procura difundir uma imagem de empresa socialmente responsável, mas não é o que tem demonstrado diante dos fatos ocorridos nesses primeiros tempos de convivência com a comunidade de Casa Branca. Além do não cumprimento por parte da empresa de várias condicionantes acordadas para a extração do minério nesta região, outras irregularidades também já foram identificadas, sendo as mesmas causadoras de grandes prejuízos à população, como a danificação da estrada local, veículos da empresa trafegando pela mesma em alta velocidade, ruídos noturnos provenientes de suas máquinas, prejudicando o sono dos moradores, culminando, no último verão, com a falta de água em pleno período de chuvas, período este em que a Vale iniciava as atividades de expansão na mina da Jangada, e como foi constatado, poluindo e fazendo uso indevido das águas daquela área, a mesma água (classe 1) usada para beber pela população local.

A denúncia do ocorrido foi levada ao Ministério Público pelo nosso movimento, que também realizou um show com artistas reconhecidos na área da música para levar tais fatos ao conhecimento da opinião pública, culminando com a manifestação em que foi bloqueada a via de acesso à mina da Jangada, o que foi amplamente divulgado pela mídia, contando inclusive com matéria veiculada nacionalmente pela TV Globo. A Vale diz promover um desenvolvimento sustentável, mas a necessidade de estarmos aqui hoje, defendendo a integridade de nossa gente, bem como de nossas águas, árvores, montanhas e animais do risco iminente de extinção, comprova que sua imagem de sustentabilidade levada a público, não corresponde à realidade.

Da mesma forma que o aquecimento global há anos atrás era apenas uma hipótese longínqua e hoje se tornou real transformando a vida de muitos, recentes pesquisas revelam que caso a mineração em Minas continue no ritmo em que está, e da forma insustentável como se apresenta, desmatando, poluindo rios e interferindo nos nossos lençóis freáticos, em poucas décadas, as regiões ferríferas e igualmente aquíferas próximas à área metropolitana de Belo Horizonte, sofrerão graves problemas em relação ao abastecimento de água. Os senhores têm uma perspectiva do que isto representa para uma população de milhões de pessoas, para um estado considerado a caixa d'água do sudeste brasileiro? E continuarão, por interesses financeiros e privados, sendo responsáveis e coniventes com essa possibilidade desastrosa?
Todos nós sabemos da importância do minério de ferro para o mundo atual, afinal também nos beneficiamos dele, mas é imprescindível que sua exploração seja feita de maneira criteriosa, responsável e sobretudo humanizada, acompanhada efetivamente de ações compensatórias e preservacionistas. Precisamos lembrar que nosso planeta, bem como seus recursos naturais são finitos, e que a Terra é um organismo vivo, a grande mãe provedora, a quem devemos consideração, respeito, cuidado e sobretudo gratidão.

Estamos cientes de que não estamos diante de uma simples batalha, pois caso tudo continue como está, num espaço não muito longo no tempo, todos sairão perdendo.
Sabemos também que estamos diante de um gigante de imenso poder econômico, a Vale é sem dúvida um Golias, mas acreditamos que se aproxima o dia em que todo indivíduo consciente tornar-se-á um Davi frente a tais gigantes, a fim de também conscientizá-los a usarem a força e o poder que possuem para o bem, para através do entendimento e da ajuda mútua, lutarmos pela auto-preservação da espécie, e darmos assim um importante passo rumo à consolidação da nossa unidade com o Todo. Então vai aqui o nosso apelo aos senhores acionistas, dirigentes e trabalhadores dessa empresa, humanos como nós, que têm família, coração e sonhos como nós, que façam todo o possível a fim de minimizar os estragos, quase sempre irreparáveis e irreversíveis que a atividade minerária provoca em nosso habitat
.


"Não dá para pensar no futuro do planeta sem pensar no futuro das florestas e do meio ambiente. Sustentabilidade."
Estas sábias palavras compõem um texto em painéis de propaganda nos aeroportos do Brasil e está assinado pela Vale; após constatarmos as recentes ocorrências acima citadas, essa frase até poderia suscitar dúvidas, mas preferimos confiar que a Vale irá honrar este compromisso e fazer valer sua palavra. 
Atenciosamente,


Membros do Movimento Casa Branca Água Viva


Carta protocolada e entregue a representantes da Empresa durante reunião com o Movimento em 16 de junho de 2011